Orçamento familiar: como começar o assunto com crianças?

Orçamento familiar: como começar o assunto com crianças?

Por Babysits, 10 minutos de leitura

Falar sobre dinheiro ainda é um tabu em muitas famílias. Talvez, inclusive, essa seja uma das razões para mais de 65% das famílias brasileiras estarem endividadas. Será que se o assunto fosse trazido mais vezes para as conversas familiares, o dinheiro poderia ser enxergado menos como um problema e mais como uma fonte de solução para diversas questões?

E mais: o quanto esse tabu tem se estendido para a nova geração das famílias, deixando importantes discussões do lado de fora de casa?

Como a maioria das famílias não têm acesso a uma educação financeira de qualidade e esse é um tema que ainda não está presente, de forma abrangente, nas escolas do Brasil, a maioria das crianças acaba não tendo contato com esse assunto. E isso pode trazer inúmeras consequências!

Um bom caminho para transformar essa realidade está na ampliação do acesso a informações, especialmente por meio da internet, e no nascimento de canais que tratam da temática de forma simples, leve, prática e divertida.

Bom exemplo disso é o Pago Quando Puder, uma plataforma de conteúdos que usa uma linguagem descontraída para ajudar as pessoas a sair das dívidas, a lidar melhor com o dinheiro e a não ver o mês acabar antes do salário. E foi em parceria com eles que produzimos este artigo, para te ajudar a entender melhor sobre orçamento familiar e aprender sobre como e por que incluir as crianças nesse processo tão importante para uma família. Confira!

O que é orçamento familiar?

O orçamento familiar nada mais é do que o fluxo de entradas e saídas financeiras de uma casa É, basicamente, o resultado do balanço entre as despesas e as receitas, ou seja, tudo que uma família ganha e tudo que ela gasta. Para construir o orçamento familiar de forma adequada, você precisa, antes de mais nada, saber qual é, exatamente, a renda mensal da família, incluindo salários ou outras fontes de recebimentos. O outro lado da balança é, exatamente, a soma das despesas, que inclui as contas mensais, como água, energia, telefone, plano de saúde, entre outros.

Vale ressaltar que é preciso considerar não apenas as contas fixas, mas também os gastos variáveis, que, apesar dos valores inconstantes, sempre acontecem. Uma boa alternativa para medir isso é fazer uma análise do extrato bancário e da fatura do cartão de crédito dos últimos três meses. Isso vai te dar uma noção mais exata de para onde costuma ir o dinheiro da família.

Essa análise, inclusive, pode te ajudar a entender por que, no fim do mês, não sobra dinheiro nem pra contar história. Quais são as despesas mais altas? Que gastos desnecessários estamos tendo aqui? Existe algo que a gente possa cortar pra aliviar um pouco as finanças? Estamos conseguindo guardar uma reserva de emergência? Você terá a chance de avaliar tudo isso!

Por que o orçamento familiar é importante e precisa ser discutido?

Dinheiro não traz felicidade, mas, sem dúvida, te ajuda a realizar sonhos. Somente com um orçamento familiar construído de forma adequada e coerente com a realidade, você poderá controlar o seu dinheiro e traçar planos para sua vida que estejam alinhados com a sua condição financeira.

Por exemplo: você tem alguma dívida? E sabe, exatamente, o quanto ela está consumindo do orçamento da sua família mensalmente? Você consegue ter clareza de como e quando vai ficar livre dela? Essas são perguntas importantes que um orçamento familiar vai te ajudar a responder.

E é somente tendo clareza das respostas dessa e de outras questões que você vai conseguir fazer planos para você e sua família. A tão sonhada viagem de férias, a festa de aniversário do filho, tirar aquele antigo projeto de ter um negócio próprio do papel, o baile de formatura da filha. Tudo isso precisa ser planejado com antecedência!

A essa altura do artigo, já deu pra você entender por que envolver as crianças nessa discussão é tão importante, certo? Dizer não para determinadas coisas ou estabelecer prioridades pra família fica mais fácil quando todos os envolvidos estão cientes da situação.

Como envolver as crianças nessas discussões, afinal?

As crianças não precisam saber que você terá que guardar R$ 1.000 até janeiro do próximo ano para pagar o IPVA ou que vocês desembolsam R$ 2.000 todos os meses para pagar o plano de saúde da família toda.

De toda forma, é importante que elas entendam o valor do dinheiro e a necessidade de economizar para que determinados planos sejam concretizados. Seu filho quer uma bicicleta nova? É importante que ele saiba quanto custa o objeto desejado e o que vocês precisam fazer, juntos, até ter condições de comprar.

É exatamente aí que o orçamento familiar entra em cena. O planejamento coletivo deve considerar os desejos e as necessidades de cada membro da família, mas também precisa mostrar o quanto as questões individuais impactam no orçamento familiar.

Mas, como fazer uma criança, que não tem conhecimento suficiente sobre o uso do dinheiro, nem responsabilidade direta na renda família, entender qual o papel dela nessa história? Aqui vão algumas dicas:

Ensine pelo exemplo

Sabe aquele ditado de que “a palavra convence, mas o exemplo arrasta”? Ele se aplica muito bem nessa situação. E, honestamente, quando falamos de orçamento familiar, pode ser que seu discurso não seja suficiente nem mesmo para convencer.

A máxima de educar seus filhos por meio de exemplo também é muito válida no contexto financeiro. Por isso, se quiser que eles tenham uma boa relação com o dinheiro, tenha hábitos saudáveis, procure não gastar mais do que ganha, evite compras por impulso e saiba economizar para concretizar planos maiores.

E, não se preocupe se você tiver dificuldade para adotar esses bons hábitos. No Pago Quando Puder, você encontra muitos conteúdos que podem te ajudar nesse sentido.

Estabeleça metas financeiras para toda a família

Se o orçamento familiar passar a ser, de fato, um assunto de família, as crianças rapidamente vão aprender sobre a importância de se estabelecer metas para concretizar os planos. Quer comprar uma bicicleta nova? Então, é preciso definir quanto economizar por mês!

Um bom começo é estipular um valor máximo a ser gasto, mensalmente, com brinquedos, passeios ou lanches. Esse orçamento estourou? Então, será preciso deixar os planos para o próximo mês!

E se você não tiver ideia de como fazer isso, temos uma ótima dica: aqui está uma planilha de controle financeiro pra você baixar e colocar todas as metas no papel. Ah, e vale a pena também criar metas sobre o uso consciente de água, celular e internet, por exemplo. Isso ajuda a materializar, na cabeça das crianças, o conceito de “economia”.

Oriente as crianças sobre o uso da mesada

Se, na sua família, vocês têm o hábito de dar mesada para as crianças, está aí uma excelente oportunidade de ensiná-las a lidar melhor com o dinheiro desde cedo.

A primeira coisa que a criança precisa aprender sobre a mesada é que se gastar tudo, ela acaba. E se não gastar, dá pra juntar aos poucos e comprar coisas de valores maiores. Pode parecer bobagem, mas isso faz muita diferença na educação financeira das crianças.

Com a mesada, a criança pode aprender a ser responsável por alguns de seus gastos e a gerenciar seus desejos por meio da definição de prioridades. Tem ou não tem tudo a ver com orçamento familiar?

Reconheça e valorize as ações positivas das crianças

Assim como em várias outras situações, reconhecer e valorizar quando a criança cumpre o que foi combinado e é bem-sucedida no que se propôs a fazer também é muito importante no contexto do planejamento financeiro familiar. Elogie, promova um passeio diferente, permita uma hora a mais de brincadeira. São muitas as formas de recompensar o bom trabalho realizado — e dar presentes, estimulando ainda mais o consumismo, pode não ser o melhor caminho nesses casos.

Dá pra falar de dinheiro brincando?

Já que criança gosta tanto de brincar, por que não criar brincadeiras para estimular as discussões sobre dinheiro? Aqui vai uma dica de uma brincadeira super lúdica para tornar mais fácil o entendimento das crianças sobre o orçamento familiar.

Para colocar em prática, você vai precisar de:

  • Três jarros de vidro
  • Folhas secas ou papel picado (lembre-se de reutilizar algum papel já usado pra não gerar resíduos com a brincadeira, combinado? Você aproveita que está ensinando sobre finanças e já dá uma aulinha de cuidado com o meio ambiente!)

O primeiro jarro será para representar o salário, o segundo as despesas da família e o último será para representar algum desejo que a criança tem — uma bicicleta nova, por exemplo. As folhas secas ou o papel picado irão representar o dinheiro e serão usados para encher os jarros.

Pra começar a brincadeira, complete o primeiro jarro até a tampa, para representar todo o dinheiro que entra no mês. Depois, junto com a criança, tire o "dinheiro" do primeiro jarro e vá colocando dentro do segundo jarro para representar as contas sendo pagas (explique para a criança que existem contas de energia, água e internet e que elas são essenciais).

O restante que sobrar deve ser dividido entre todos os sonhos da família e um deles é a bicicleta. Coloque um pouco das folhas no "jarro da bicicleta" e explique que quando o jarro estiver cheio significa que todo o dinheiro necessário foi guardado e está na hora de realizar o desejo do novo brinquedo. Mas, atenção: a criança precisa saber quanto tempo vai levar até que o jarro da bicicleta esteja cheio. Para isso, você pode fazer quadradinhos de papel e colá-los no jarro para serem riscados a cada mês. Por exemplo, se forem 12 meses, faça 12 quadradinhos e repita esta atividade todos os meses com ela, para que ela entenda que todo mês entra e sai um pouco de dinheiro, e que, por isso, é preciso ter paciência para concretizar os planos.

E então, gostou das dicas? Não deixe de utilizar a hashtag #babysitsBR e marcar nosso perfil (@babysitsbr) se fizer esse experimento.

E se quiser conferir outros conteúdos para lidar melhor com seu dinheiro e otimizar a renda da sua família, acompanhe o Pago Quando Puder.